Nós não queremos flores, em outras ocasiões talvez mas não no dia de hoje.

Nós lutamos e muito todos os dias pra ter um salário justo, pra não ouvir piada depreciativa, pra sair de mini saia e voltar viva, pra sermos ouvidas.

Nós estamos cansadas desde criança de ouvirmos como tem que ser nosso cabelo, nosso corpo, que devemos nos comportar e nos dar ao respeito e isso significa se calar e se anular sempre. Somos desrespeitadas por sermos mães solo, por desejarmos abortar, forçadas a pensar que nascemos apenas pra ser mãe e esposa, sem vontade própria que vive em função dos outros.

A gente vive com medo. De sair, de ficar em casa, de voltar tarde do trabalho, de pegar uber, de beber e ter o corpo violado, de se vestir como tem vontade, de ser julgada, difamada e humilhada simplesmente por ser mulher.

Somos tratadas pelos nossos governantes como inferiores. Somos retratadas pelos jornalistas como culpadas e como vadias. Somos desrespeitadas na mesa de parto e temos que nos calar diante da violência.

Todos os dias somos milhares, mortas, estupradas, assediadas, espancadas, humilhadas, mutiladas, expostas, desacreditadas.

Vivemos o terror muitas vezes dentro da nossa familia, do nosso trabalho, num trajeto pra encontrar a amiga.

Crescemos com nojo do nosso corpo, tentando esconder e mudar tudo aquilo que é feminino, pêlos, menstruação, celulite. Cabelo tem que ser liso, escovado, cabelo branco é desleixo.

Uma mulher que apanha é porque merece,

Que foi estuprada é porque provocou,

Que engravidou é porque não se cuidou,

Que foi assediada no ônibus voltando pra casa é porque tava de decote, tava pedindo

Que foi assassinada porque bebeu.

As flores do dia 8 só servem pra enfeitar nosso caixão. Nosso dia não tem nada pra ser comemorado, nosso dia é de luto por todas essas mulheres que hoje se tornaram estatistica e de luta por respeito e direitos iguais independente da nossa cor, classe social, religião ou da nossa profissão.

Lutem umas pelas outras, não se calem diante do machismo, não aceitem migalhas travestidas de respeito, não deixem que o medo cale nossas vozes.

Sejam mulheres de luta, de igualdade, que amam acima de tudo umas as outras.

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