Se a vida tivesse um roteiro, você gostaria de lê-lo antes de encenar os próximos capítulos?

Não que a vida seja previsível, porque existem todos os tipos de roteiro, desde os que são mais do mesmo até aqueles com os maiores plot twists.

Como virginiana que sou, sempre apreciei a segurança da rotina rígida. Tudo pra mim sempre foi milimetricamente calculado e pensado antes de ser executado, isso em todas as esferas da minha vida. Previsibilidade sempre foi uma regra de ouro.

Mas dizem que, depois dos trinta, nosso ascendente assume as rédeas e meu lado sagitariano gritava por atenção.

Foi com trinta anos que eu descobri um novo esporte. Naquele momento, só buscava encontrar alguma atividade física pela qual eu pudesse desenvolver algum tipo de interesse para vencer minha condição de sedentária.

Mas esse novo esporte, o pole, fez despertar em mim aptidões que eu jamais imaginaria que pudesse desenvolver. Me deparei aos poucos com as potencialidades do meu corpo e com isso me redescobri como pessoa, como artista, como mulher.

Aí eu percebi que queria conhecer mais, aprender mais, progredir mais, mudar o roteiro. Ver até onde eu poderia evoluir. Coisa de gente persistente. E assim fui vencendo um limite atrás do outro e a regra da previsibilidade foi for água abaixo.

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Realmente, o pole nos ensina que muitos limites não são reais, pelo contrário: eles decorrem da crença dos outros (“você não vai conseguir”, “você não começou cedo”, “você não tem bagagem”, “você não é magra o suficiente/ forte o suficiente/ boa o suficiente/ flexível o suficiente”, “você não treinou o bastante”, “isso não é pra você” – coisas que nem sempre se ouve, mas que são sentidas pela postura de quem está à nossa volta).

voar
@andrea.tolaini

É coisa do ser humano querer cortar as asinhas dos outros. Está em nossa cultura dizer que “é melhor um pássaro na mão do que dois voando” ou que “não se pode dar o passo maior que a perna”. A sociedade te ensina a ser previsível e sonhar baixo. Mas o pole te mostra que o essencial é invisível aos olhos e é você quem determina quão alto vai alçar seus voos, tendo apoio ou não.

Quando dei por mim, vi que meus sonhos eram gigantes e já não cabiam mais no roteiro que estava sendo escrito. E que eu queria mais e podia mais, mesmo quando não acreditaram em mim. Podia mais por mim e pelos outros – queria ajudar outras pessoas a voarem alto e sem medo, sem correntes, sem obstáculos, sem descaso, sem preconceitos. Oferecendo acolhida, respeito e empoderamento.

De repente, já não bastava mais escrever sobre o pole; eu queria viver o pole dance e alimentar sonhos, sendo agente transformadora direta da vida de tantas pessoas que procuram a prática.

Pra isso, eu precisava criar minhas próprias asas. E criei, com o apoio de pessoas importantes na minha vida e ao lado dessas mulheres i-n-c-r-í-v-e-i-s que o pole me apresentou e que compartilham comigo dessa mesma paixão e desses mesmos anseios.

as quatro
@lorrainepinheiro @suelybarbeiro @tativillan

Assim nasceu o Sou do Pole – Estúdio, que é um desdobramento imprevisto,  mas amplamente desejado desse Blog.

O Blog vai continuar existindo e vai seguir acolhendo todos os seus praticantes, instrutores e estúdios, pois seu objetivo é difundir o pole dance, irrestritamente. Mas, justamente por ser este Blog um espaço democrático – de todos e para todos, não podíamos deixar de compartilhar essa nossa conquista aqui também 🙂

Assim como a gente, sonhe alto você também. Se coloque em primeiro lugar e acredite sempre, sem nunca deixar de apoiar os sonhos dos outros.

Vamos voar todos juntos s2

 

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