Durante a primeira guerra mundial, muitos países ficaram sem seus homens: os homens iam para a guerra, passavam muito tempo lá, e alguns nunca voltavam. Isso fez com que as mulheres, que até então não podiam trabalhar nem ter autonomia, vissem-se numa situação na qual eram obrigadas a tomar os postos que os homens deixaram para trás. Ao fazer, perceberam que sempre foram tão competentes quanto os seus pais e maridos, e a partir daí, os direitos e o espaço feminino passou a ser uma exigência frequente.

Com certeza demorou muitos anos, mas hoje em dia as mulheres conquistaram mais espaço do que jamais tiveram. Não que já seja o suficiente, mas imagine como seria vista uma dançarina de Pole Dance em 1925 comparada com como ela é vista hoje.

Além de conquistar os espaços predominantemente masculinos, como as empresas e os esportes regulares, as mulheres também lutaram e lutam pelos seus próprios espaços. Um desses espaços é o Pole Dance. Mesmo em um mundo ainda muito conservador, onde a expressão Pole Dance é banida em redes sociais e há países como a Coréia do Sul onde nem sequer existem bars de strip (o primeiro contato do que alguns têm com algo que é próximo de Pole Dance), mulheres com coragem se reúnem em estúdios de dança para celebrar o amor pelo próprio corpo, exercitarem-se e se divertirem.

Entretanto, alguns homens (daqueles mais seguros de si, que não têm medo que seu órgão genital caia ao fazer qualquer coisa que seja associada ao feminino) perceberam como o pole dance pode ser gostoso e fazer bem para todos, e decidiram se juntar à prática. No estúdio Sou do Pole, somos bastante orgulhosas de nossos alunos homens, e, claro, diferentemente do que foi feito a mulheres durante anos de opressão, mantemos nossas portas abertas para qualquer tipo de pessoa.

Nosso aluno Rodrigo Farah posando em um dos Pole Street realizados pelo Estúdio Sou do Pole

Conversamos com alguns alunos homens do nosso estúdio sobre o assunto.

Os alunos consultados declararam que, por mais que pudesse ter havido um certo receio no começo, todos se veem em um ambiente gostoso, confortável, acolhedor e divertido, onde simplesmente acontecem atividades físicas e a auto estima de todos se desenvolvem. Que apesar da história do Pole Dance ser uma história feminina, e isso merecer respeito, nenhum homem se vê em situação de opressão por ser minoria lá.

Ao conversarmos sobre mulheres inseridas em espaços predominantemente masculinos, um de nossos alunos, que é um homem gay, disse que é impossível saber como uma mulher se sente nesse tipo de situação, mas que consegue encontrar empatia quando lembra dos dois anos que passou trabalhando em um quartel da PM/Bombeiros, ambiente esse bastante ‘heteronormativo”. Era necessário, de acordo com ele, estar “armado” o tempo todo, se policiando e agindo de forma defensiva para não sofrer nenhum tipo de repressão por ser você mesmo. Imagina ele que uma mulher em um ambiente predominantemente masculino se sinta de forma semelhante.

Nosso aluno João Camacho comemorando ter aprendido um movimento novo.

Parece ser consenso geral que o acolhimento que os homens encontram no pole dance não se reproduzem para com as mulheres nos ambientes que são masculinos, reconhece-se que é comum que homens se insiram em contextos femininos para abusar das estruturas machistas e roubar o protagonismo feminino.

Nossos meninos, que são pessoas com a mente super aberta, ainda deixaram claro que todos deveriam saber lidar com a mesma naturalidade com ambientes predominantemente masculinos, femininos ou mistos, e que as pessoas deviam manter um mesmo comportamento ético em qualquer desses ambientes, em prol da convivência humana.

Deixe uma resposta