Seja teimosa/o.

Me tornei professora em 2012. Mas eu não dava aulas de pole, não: eu era professora do curso de Direito, pois minha formação acadêmica é na área jurídica.

Dei aula em universidade de 2012 a 2016. Nesse ano de 2016, comecei a praticar pole dance, por me sentir motivada por uma aluna minha, que postava fotos lindas nas redes sociais.

Desde a primeira aula eu sabia que o pole dance não seria algo fácil para mim. No começo, eu não aprendia nada com facilidade, muito pelo contrário: tudo era muito difícil/complicado/dolorido – especialmente em razão da minha absoluta ausência de força/flexibilidade/consciência corporal, tudo fruto de uma vida inteira sem a prática de qualquer atividade física.

Muito embora eu não fosse uma aluna de pole excelente, daquelas que fazem as coisas de primeira, que dominam os movimentos com maestria e que são aplaudidas de pé pelos professores, uma qualidade minha me ajudou muito a evoluir: a teimosia.

Mesmo não tendo corpo de atleta, mesmo tendo mais de 30 anos, mesmo não tendo experiência nenhuma com dança, mesmo não tendo força no começo, mesmo com todas as dificuldades do mundo e com o meu processo inicial consideravelmente lento de evolução, eu insisti. Justamente por ser difícil. Justamente por ser desafiador. Justamente por acreditarem que eu não evoluiria.

E, olha só, eu evoluí. Tanto que hoje, apesar de todas as improbabilidades dessa vida, me tornei instrutora de pole dance para além de funcionária pública no meio jurídico.

Às vezes a gente acha que não leva jeito para uma coisa e por isso desiste. Outras vezes, a gente continua achando que não leva jeito, mas, justamente por isso, insiste mais ainda do que os outros. Para mim, que sou virginiana, isso funciona muito: é só alguém falar que eu não vou conseguir fazer algo (confesso que por vezes eu mesma me digo isso) que eu, no minuto seguinte, já deposito todos os meus esforços para provar o contrário. E consigo, por teimosia.

Não é uma questão de talento, ou de aptidão, ou de perfil: é uma questão de vontade. E de acreditar.

Hoje, como professora de pole, vejo algumas das minhas alunas exatamente na mesma posição em que eu um dia estive: se aventurando nas primeiras aulas sem compreenderem bem o que estão fazendo ali. Como instrutora, sempre me ouço dizendo: “você consegue”, “não se compare”, “cada um tem seu tempo”, “cada corpo é um corpo”, “basta querer que você chega lá”, “eu acredito em você”. Mas hoje me peguei pensando se as alunas não pensam que eu falo essas coisas da boca para fora, talvez porque me vejam invertendo/girando/dançando/fazendo transições com alguma facilidade e por isso acreditem que eu sempre fui assim.

Não, eu não falo essas coisas da boca pra fora, pois eu nem sempre fui assim. E por isso faço questão de incentivar cada aluna, assim como eu também tive esse incentivo. Não existe fórmula mágica: quem tem mais dificuldade vai precisar querer mais e se esforçar mais. E, se fizer, isso, vai conseguir. Acredite.

Que 2020 seja um ano de muita determinação e teimosia.

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